Uma missa à identidade brasileira

Uma missa à identidade brasileira

Sexta e sábado a Capela Santa Maria será o palco de um grande encontro. O motivo é a execução da Missa Afro-Brasileira, composição do maestro Carlos Alberto Pinto Fonseca. Falecido em 2006, sua vontade era de que a obra, originalmente composta para coro “a capella” na década de 1970, recebesse os ritmos brasileiros através da percussão de Djalma Correa.

Amigo do falecido maestro, Djalma foi procurado pela viúva do compositor, a maestrina Ângela Pinto Coelho – que é a regente convidada para o concerto –, para realizar a intenção do maestro. Sobre a tarefa e a importância da missa, Djalma disse:

“Ela sintetiza toda essa história afro-brasileira, usando o latim, a língua portuguesa, mas usando as palavras de forma percussiva. Tentei colocar a percussão de maneira que ela não interfira nessa característica da música afro-brasileira: liberdade, flexibilidade. Então não é aquela coisa presa, amarrada numa partitura. Tem toda a coisa conceitual, um trabalho prévio para se entender o que são esses toques, que estão adaptados para a Missa.”

A escolha de Djalma para a tarefa não é um capricho da amizade. Em seu currículo estão aulas com H. J. Koellreutter, Walter Smetak e Vicente Assuar, gravações com Caetano, Gil, Gal, Peter Gabriel, além de mais de trinta anos de pesquisa de campo por todo o Brasil. O acervo formado durante os anos de pesquisa reúne gravações de “mães de santo, capoeiristas, mestre bimba, mestre caiçara...”, material que Djalma pretende lançar através de editais governamentais para “fazer retornar a quem deu origem, para manter a cultura viva.”

Foi através dessa vivência musical que Djalma se conscientizou da importância da espontaneidade na música, que “é a criatividade com muita consciência”. Segundo ele, nem só de exaustivos ensaios se faz um bom músico. É preciso a sensibilidade de ler, entender o que o outro está fazendo, possibilitando assim, interagir em sua linguagem. Para inserir a percussão na Missa-Afro-Brasileira, Djalma teve alguns cuidados:

“Uma das coisas que eu discutia muito com ele (Carlos Alberto) era para a percussão não ficar fechada em uma etnia, queria mostrar esse panorama afro-brasileiro. A segunda coisa é ser econômico, enfatizando determinados momentos com a percussão, procurando o equilíbrio.”

Além de Djalma e Ângela, fazem parte do concerto o Coro da Camerata Antiqua de Curitiba, Madrigal Vocale, sob a regência de Bruno Spadoni, e os percussionistas curitibanos Alexandre Schimmelpfeng, Vina Lacerda e Luís Fernando Diogo. Os solos estarão a cargo de integrantes do próprio Coro da Camerata: Darci Almeida (soprano), Fátima Castilho (contralto), Alexandre Mousquer (tenor) e Marcelo Dias (baixo). Nas palavras da maestrina Ângela:

“Eu acho que nós fizemos isso uma vez em Belo Horizonte e mais uma vez em São Paulo, com o mesmo coro, com o mesmo grupo de percussionistas. Mas o que estamos fazendo aqui em Curitiba com a Camerata, com o Madrigal Vocale e com o grupo de percussão daqui junto com o Djalma é uma outra visão, uma visão incrível... Mais, eu não esperava. Eu esperava, realmente, um coro muito bom, mas foi além da minha expectativa. É impressionante: as vozes, a sonoridade, o entusiasmo, a vivacidade, tudo. É fantástico, meu prazer é enorme. Tenho dito.”

Serviço

Missa Afro-Brasileira (de Batuques e Acalantos)
Local: Capela Santa Maria– Espaço Cultural
Datas e horários: dia 17 de junho (sexta-feira), às 20h; e dia 18 de junho de 2011 (sábado), às 18h30.
Ingressos: R$ 15 ou R$ 7,50 (meia-entrada)
Endereço: Rua Conselheiro Laurindo, 273 – Centro
Informações: 41 3321-2840

Não sabe onde ir hoje?

Rua Benjamin Constant, 400 Centro
Curitiba , PR

Café Parangolé

Estamos abertos todos os dias! De segunda a sexta: das 11h30 as 14h30 (almoço da Conchero - Confraria dos Chefs Roqueiros) Todos os dias: das 18h00 a 01h00 (Venha jantar e de QUINTA a DOMINGO aproveite para escutar o...
(41) 3092-1171
Avaliação:
Seu voto foi 4. Total de votos: 5145