Uma identificação musical

Uma identificação musical

É nesse domingo iluminado pelo sol que acontece na Casinha a segunda edição do LEVANTE da música curitibana. Ocupam o palco Jana Fellini Trio (17h) e Música de Ruiz (19h), que apresentam ao público não só as novas perspectivas de seus trabalhos, mas, sobretudo, a busca contínua de expressar suas identidades.

Jana Fellini Trio mostra um pouco do trabalho ainda em progresso, que culminará na gravação do primeiro disco: “Vai menina, Vem Sereia”. A nova fase tem como objetivo explorar os anseios encontrados durante a carreira do Trio. Segundo Jana Fellini o momento é de entrosamento:

“Quando tive a ideia de fazer o CD, isso faz uns três anos, comecei a ouvir samba – porque pensei que seria uma cantora de samba. Aos poucos, junto com essa vontade que tinha aliada ao trabalho prático, com os músicos, fui sentido que meu gosto artístico andava por uma linha afro-brasileira, eletrônica, afro-jazz, MPB e contemporâneo. Mas assim, ainda estamos descobrindo, com muita calma. Estamos numa união muito forte, uma sintonia que está rolando entre nós, que é a coisa mais bonita que pode acontecer quando vc está trabalhando.”

Um consenso entre as duas bandas é que a questão da identidade está mais ligada ao processo do que realmente eleger algo que defina, de uma vez por todas, o que se é. Essa discussão não fica apenas no âmbito particular das bandas, ou dos artistas, mas permeia toda a relação com a cidade, onde esses questionamentos acabam acontecendo.

Qual a identidade de Curitiba? A pergunta já é velha, mas talvez nunca tenha sido pensada em momento tão promissor, no sentido de que as forças culturais aqui atuantes começam a se unir, criar um diálogo mais preocupado em somar do que em restringir. Uma das respostas possíveis para a pergunta que abre o parágrafo é a de que Curitiba não tem identidade, o que pode ser algo constrangedor:

“Conversando com produtores de outros estados eles dizem o contrário: Isso é lindo, porque vcs não precisam necessariamente se vincular a gênero nenhum. Então podem acontecer coisas legais em Curitiba de rock, da MPB, da MPB água-com-açúcar, da Neo-MPB, outro grupo se intitulando novos curitibanos e o grupo de velhos curitibanos que vão acabar aparecendo junto... e tudo bem, porque a gente não é a cidade do samba, não é a cidade do maracatu, não é a cidade do... e ao mesmo tempo tem tudo isso.”

As palavras acima são de Estrela Leminski, que junto de Téo Ruiz, Dú Gomide e Fernando Lobo formam o Música de Ruiz. Interessante reparar que Dú Gomide e Fernando Lobo formam o Trio com Jana Fellini, que tem em parceria com Estrela na sua primeira composição. Conversando sobre identidade musical, Jana comentou sobre sua atuação como compositora, que se dá através da necessidade que tem de dizer algo para o mundo. Ela aponta essa necessidade como uma das características da identidade do Música de Ruiz, o que é confirmado por Téo:

“Essa coisa de dizer tem que caminhar junto. Desde o começo partimos desse princípio de dizer, de pensar como passar a mensagem, tudo para que ela não se perca e seja o mais direta possível. Quando existe essa conjunção (música e letra) na canção, ela pega mais. A arte comunica de certa forma, e se vc estiver comunicando está passando uma mensagem. Então esse jogo (música e letra) se faz claro, intrínseco.”

Os três personagens desta matéria tentaram de alguma forma esboçar características pertinentes aos seus trabalhos, mas sempre deixando em aberto os limites de uma possível identidade. Durante as conversas outros pontos além da música foram abordados, como a auto-produção, o fomento à cultura por parte do governo e prefeituras, as reinvidicações da classe, a lógica do mercado – todos assuntos pertinentes à profissão de músico.

É da sinergia de todos os esforços e compreensões que a cena curitibana se fortalece, nas palavras de Téo:

“Curitiba está colhendo os frutos de sua história. Os músicos tem que exigir espaço para tocar, porém temos que analisar nossa trajetória - tem um pensamento vigente no pano de fundo da história. Temos que aprender a lidar com nossa história e fazer nossa arte. Compreender para aprender e evoluir. Se a intenção é mostrar para o Brasil a música que está sendo feita em Curitiba, então é isso. Vamos nessa. O lance é pensar como, o que vai surgindo naturalmente, num bar, numa reunião, numa passeata”, num LEVANTE.

Serviço

Levante de Música Curitibana- Janaína Fellini Trio (17h) e Música de Ruiz (19h)
Local: Casinha – Rua São Sebastião, 784 (fundos)
Data: 19/06 a partir das 15h
Preço: R$10 até às 18h. Após, R$12.
Tertúlia Produções Culturais – facebook.com/tertuliaproducoes
tertuliaproducoes [at] felixbravo.com.br

 

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