Um corte na alma gelada de Curitiba

Um corte na alma gelada de Curitiba

A peça teatral Curitiba Vestiva de Noiva, de Enéas Lour, um dos mais premiados dramaturgos e diretores curitibanos, fala das cicatrizes da alma humana. No palco do espetáculo, que estréia nesta quinta-feira (19),  a atriz Cláudia Minini, além da participação – em vídeo – de um casal de atores do mais alto gabarito de nosso teatro: Luiz Carlos Pazello e Sílvia Monteiro. A iluminação está a cargo do premiadíssimo Beto Bruel (03 Prêmios Shell de Iluminação e 26 Troféus Gralha Azul) e a sonoplastia é de Célio Savi.

Com duração de 50 minutos e mesclando a linguagem do humor-patético e a linguagem poética, o espetáculo aborda temas como a solidão, a frustração e a superação, as opções que a personagem teve que adotar em função de um trauma acontecido há 37 anos.
As transformações ocorridas em nossa cidade nesses 37 anos também são focadas na peça. Aquela Curitiba provinciana, de pouco mais de 500 mil habitantes em 1975 já não é, evidentemente, a mesma. O mundo mudou. Mas, as cicatrizes são para sempre. Não são parecidas com pegadas na neve, por exemplo, tão fugazes, tão efêmeras, e que logo desaparecem.

Uma cicatrizda alma humana

O dia 17 de junho de 1975 seria marcante para Amanda, uma curitibana de 20 anos que ia se casar às 20h30min na Igreja Santa Teresinha.
O dia 17 de junho de 1975 ficaria marcado para sempre na memória de todos os curitibanos que ao acordarem viram a cidade coberta com um véu branco, como uma noiva.
Aquele dia foi cheio para Amanda: já de manhã bem cedo tinha que ir atelier da costureira (Dona Cotinha, na Água Verde) para provar o vestido, o véu e a grinalda; tinha que fazer as unhas, a maquiagem, o cabelo; tinha que conferir se tudo estava certo no Buffet do Restaurante Madalosso; etc... etc...
Mas, nevou.
A cidade enlouqueceu e todo mundo virou criança ou palhaço. Todos queriam tirar fotografias e mais fotografias e a Ótica Boa Vista, na Praça Osório, ficou lotada de gente querendo comprar filmes para suas máquinas fotográficas. Todo mundo fez um boneco de neve. Todo mundo saiu de carro. Todo mundo ria muito.
Na hora marcada – 20:30h – lá estava ela – Amanda – vestida de noiva, linda, na porta da Igreja Santa Teresinha, no Batel, ao lado de sua mãe. Lá estavam as primas, as amigas, a Laurinha que ia ser a daminha de honra e levar as alianças até o altar. Lá estavam os padrinhos e as madrinhas, as tias, as vizinhas, as alunas dela lá da Academia de dança, todo mundo estava lá. Mas, o noivo – o Alex – bem na horinha, antes de entrar na igreja, jogou o cigarro no chão e sumiu-se correndo feito um louco. Ele e um amigo dele – o Marquito – lá do futebol.
Ninguém sabe o que deu telha dele. Saiu assim, correndo e sumiu-se o noivo.
E ela ficou lá – com cara de trouxa – na frente de todo mundo.
Vexame.
No outro dia até saiu na Gazeta do Povo, sem dó nem piedade, na coluna do Dino Almeida:
Noiva largada no altar! Noivo deu no pé na hora da cerimônia.
Isto aconteceu há 37 anos.
Hoje, Amanda, é uma mulher de 57 anos que ainda traz a cicatriz daquele dia na memória.

Serviço

Curitiba Vestida de Noiva
De 19/04 a 20/05, de quarta a domingo às 20h
R$ 20 (desconto de 20% com bônus) / R$10
Teatro Barracão Encena
Rua 13 de Maio, 160 - Centro
 
Fonte: Assessoria de Imprensa

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