Os jovens do rock curitibano

Os jovens do rock curitibano

Conhecer todas as bandas autorais em atividade hoje em Curitiba é uma tarefa difícil. Milhares de bandas estão produzindo na cidade, por mais inverossímil que isso possa parecer ao se ligar o rádio. Toda essa produção atual é a ponta de uma linha histórica, que parte da decisão de montar uma banda. Mais do que o estilo em si, o rock tem a atitude como princípio, e é isso que mais inspira quem está de frente para o palco.

"Uma banda como a Copacabana Club não existiria sem a Magog, pode até perguntar para eles isso. O Alessandrinho e o Tile Douglas começaram a tocar por causa da Magog. Eles faziam parte da piazada que ia ver o Magog, que sabiam cantar todas nossas músicas."
Cassiano Fagundes, um dos integrantes da Magog, conta que por sua vez, quando tinha 13 anos, viu um show da banda Beijo AA Força. Foi neste show que se convenceu de que montar uma banda era o que ele queria. Com 16 anos criou uma banda para  tocar o estilo que aprendeu a gostar com sua família, a country music. Mais precisamente o country rock tocado por Buffalo Springfield, The Byrds, Glam Parsons, Johnny Cash, somando-se ao rock de bandas como The Cure. Juntou alguns amigos que compartilharam a aspiração e montou a Magog, nome inspirado por uma passagem do livro do Apocalipse da bíblia.

A banda começou como todas, tocando em festas e para amigos. Mais de vinte anos depois, Cassiano relembra, um dia antes do show que comemora os 20 anos da banda, como o caminho foi alterado, como a Magog realmente começou a crescer:

"Em 1992 eu passei um tempo na Inglaterra, e lá estava estourando o Nirvana. Quando conheci essas coisas todas, que depois chamaram de grunge, eu comecei a comprar discos, ir em show e tal. Acabei entrando em contato com um som do underground de Londres, que eles chamavam de "lurch" ou "crustie", era como se fosse uma versão inglesa do que estava acontecendo nos Estados Unidos, só que era um som mais arrastado, mais pesado, bem underground, mais a ver com punk do que com metal. Comecei a escutar esse som, comprar discos e voltei para Curitiba com a ideia de direcionar a Magog nesse sentido."

A banda foi reformulada, e além de Cassiano, foi então formada por Jansen Botana (baixo), Marcio Kulik (bateria) e Anderson Cavassim, o Pulga (guitarra). Foi com essa formação que a Magog gravou "Fun" e "Underworld", músicas que renderam espaço na primeira rádio rock da cidade, a Estação Primeira. Durante quatro meses as músicas apareciam na programação três ou quatro vezes durante todos os dias. "Fun" foi tão bem aceita que virou o nome do então caderno de jovens da Gazeta do Povo, outro marco na cultura da cidade.

"1992 foi um ano em que o rock começava a ocupar novamente as paradas de sucesso, o que se deve muito ao pessoal de Seattle". Em Curitiba isso começava a reverberar, e a cena independete do rock autoral começava a emergir através de festivais promovidos pela Estação Primeira e por JR Ferreira, um dos criadores e proprietários do 92º The Under Pub, "templo" onde a Magog se apresenta, novamente, nesta sexta. Sobre aqueles tempos, Cassiano:

"O nosso templo, o lugar da galera se encontrar, era a 92º. Domingo não precisava nem conversar com as pessoas ou saber que banda ia tocar: todo mundo se encontrava no 92º. Foi uma época muito importante para a cidade, sem desmerecer as outras épocas, mas naquele momento o que acontecia no 92º foi crucial para o que veio depois, principalmente para a música independente e autoral da cidade".
JR Ferreira lembra do primeiro show da casa com entusiasmo, enfatizando que a casa foi a primeira a dar exclusividade para bandas autorais da cidade. Lembra também que no mesmo ano outros empreededores surgiram, alguns deles até hoje em atividade, caso do Wonka, Kubrick e Vox, antes, respectivamente, O Poetinha, Ponto G e Sheena. "Todos mudaram de nome e nós continuamos com 92º... O pior vaso de todos! Todos ficaram ricos e nós ficamos batendo cabeça com esse rock maldito! O que só enche de orgulho..."

JR fala sobre a cena que, em 1991, era formada por cerca de 30 bandas, duas ou três lojas de instrumentos musicais, mesmo número dos estúdios de gravação. Justamente por esses motivos, a falta de estrutura, é que a união entre bandas de diversos estilos era uma coisa natural, formando um bloco onde todos se ajudavam, se influênciavam e se prestigiavam, como também lembrou Cassiano. Foram essas restrições que sempre fizeram Cassiano acreditar que fazer shows em outras cidades era algo necessário. Foi pela vida na estrada que a Magog conheceu os Titãs e seu selo, a Banguela Records, cujo cabeça era Carlos Eduardo Miranda, que se tornou o produtor da banda. Com ele a exposição aumentou, e o som foi parar na mídia nacional. 

"Poder ver bandas como a Magog indo pra fora, participando do Alface - coletânea de bandas curitibanas produzida pelo selo Banguela -, saindo na Show Bizz, recebendo elogio do produtor do Nirvana, Jack Endino... Nossa cara! Dava um puta de um tesão! Meus amigos!"

Esse sentimento descrito por JR Ferreira deve ser o mesmo que levou Cassiano à decisão de montar uma banda durante o show do Beijo AA Força, mas em um outro estágio. É o mesmo sentimento dos que abriam os shows das bandas de fora que vinham para tocar no 92º, que ficou conhecida nacionalmente entre as bandas undergrounds. "As  bandas da cidade criaram amor próprio, pois percebiam que não estavam tão distantes assim, que era possível", disse JR.

A Magog tocou pra valer mesmo até 1998, com a mesma formação que apresentará neste show comemorativo: Cassiano, Jansen e Raphael Virmond (bateria). Outros integrantes que participaram da banda irão participar do show, seja na platéia ou fazendo uma participação, que acontece também numa 92º localizada em outro endereço, onde JR diz estar vendo tudo de novo, novas bandas surgindo durante os shows que lá acontecem.

"Estamos vendo tudo de novo aqui. Tá vindo uma piazada, o rock é piazada! Só jovens, cara! Os jovens continuam! O rock tem esse negócio juvenil, não adianta tapar o sol com a peneira. O rock tem uma essência jovem, não que você fique velho e não possa tocar... não é isso que quero dizer. Com certeza esse que continuar irá tocar com um espírito jovem. A fonte da juventude! Hoje acho que chega a ter umas mil bandas em Curitiba. Agora com a 92º de novo botando fogo nas bandas novas esse número vai aumentar! Até os véios estão querendo montar as bandas véias de novo!"

E é verdade. Cassiano Fagundes comentou sobre uma conversa que teve com Jansen, onde cogitaram uma possível volta da Magog aos estúdios. Tudo depende, segundo ele, do que irá acontecer nesta sexta, no 92º The Under Pub.

 

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Alberto Massuda Nascido no Cairo, Egito, em 1925, Alberto Massuda veio com 33 anos para o Brasil e fixou residência em Curitiba. Em 1958 naturalizou-se brasileiro. Antes de sua chegada, cursou Belas Artes no Egito e...
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