O Pozzo e a poesia na urbe

O Pozzo e a poesia na urbe

Final de semana geralmente não faltam opções de show, cinemas, teatro e exposições. Mas algumas pessoas preferem leitura. Dessas, há quem prefira lugares abertos, como um parque ou uma praça, ou ir até um café sentar e ler. Por último, há os poetas que gostam de declamar poesia no bar. Afinal, o lugar é de celebração.

Ricardo Pozzo, poeta, fotógrafo e abstêmio. Produtor do projeto VoxUrbe no Wonka Bar toda terça-feira. Membro do grupo literário Pó & Teias, idealizado pela prof. e escritora Glória Kirinus, além do projeto "Cartogafria entre o som e o sentido" com os poetas Tullio Stefano e Rodrigo Madeira. Com a série de fotos UrbeFágica reúne momentos comuns na cidade. É o concreto armado contra os cidadãos. A foto acima e abaixo são um pouco do trabalho visual de Ricardo, mas nossa conversa foi sobre literatura e a cena cultural em Curitiba

 

 

CuritibaCultura: Qual sua trajetória na literatura, na poesia e em Curitiba. Quais as mudanças que passou a cidade e também no que se envolveu durante o tempo que mora aqui?

Ricard Pozzo: Percorri caminhos óbvios! escrevo desde criança! depois na adolescência passei às letras de música! Fiz um livro por conta própria que reunia meus poemas dos 18 aos 21 chamado Transmigrações, e que hoje é um livro apócrifo, rejeitado pelo autor do qual extraí uns 5 poemas médios! Mais um intervalo por questões pessoais e em 1998 fiz um outro livro artesanal chamado "Khidr"! Outra vez um intervalo até 2003, onde conheci o grupo da professora Glória Kirinus na Biblioteca Pública hoje chamado coletivo Pó & Teias e desde então venho tendo contato com a poesia feita em Curitiba!

CuritibaCultura: Como você pensa o desenvolvimento da literatura em Curitiba no tempo que está aqui?

Ricardo: A literatura, como todas as coisas, tem seus momentos de altos e baixos! Mas desde o Porão Loquax (do poeta Mario Domingues e da empresária Ieda Godoy) no Wonka Bar em 2006 os poetas e escritores têm mudado sua atitude na cidade! Se antes eram malditos e solitários, continuam malditos e solitários, porém trocam mais informações! O Porão Loquax possibilitou a baixa da guarda entre os literatos e posteriormente grupos de leitura dos clássicos foram organizados (pelo grupo que se reunia na casa do professor e poeta Paulo Bearzoti), depois o Cenáculo, no edifício Asa, organizado pelo poeta Rodolfo Jaruga e pelo fotógrafo e músico Albert Nane! Agora há o Paço da Liberdade, que sob a curadoria do filósofo Élisson Silva tem organizado o Projeto Café, Leite Quente e Poesia, o Museu Guido Viaro, sob orientação (em assuntos poéticos) do poeta e músico Marcelo Brum Lemos e a saga poética continua no Wonka com o Projeto Vox Urbe!

CuritibaCultura: Com relação ao poder público e o incentivo à literatura em Curitiba, qual sua opinião? E o setor privado, incentiva de alguma forma a literatura?

Ricardo: Desde a Lei Rouanet a a Lei do Mecenato, junto com a Secretaria de Estado da Cultura, que publica livros mediante uma triagem feita por uma Comissão, as coisas têm melhorado! Junto a isso soma-se a facilidade em produzir impressos de qualidade razoável que o computador nos trouxe! Por isso também muitos livros artesanais têm sido produzidos! Sem falar dos blogues! Realmente os tempos são outros, pois os trabalhos literários estão circulando mais, dando possibilidade às pessoas de conhecer o que se produz de melhor e de pior no Paraná, no Brasil e no Mundo! Com isso continua se destacando quem é exepcionalmente bom, o que ainda é raro! Não que isso impeça a qualquer um de escrever! Creio que a escrita é um direito lúdico de expressão!, porém só os exepcionalmente bons se eternizarão! A iniciativa privada ainda não tem muita iniciativa nesse campo!

 

 

CuritibaCultura: Na literatura, qual a posição/momento de Curitiba dentro do contexto nacional?

Ricardo: O contexto nacional creio que seja o grande desafio atual! Uma produção de qualidade nos fará ultrapassar os limites das Araucárias, mas depois, forçar a quem articula a cena nacional a dar uma espiadinha para cá não é tarefa fácil! Mas há ainda toda a América Latina, que já olha com respeito para nomes de escritores que residem em Curitiba como a Bárbara Lia e Paulo Sandrini, entre outros!

CuritibaCultura: A classe de literatos na cidade consegue se organizar para a defesa de interesses?

Ricardo: Essa questão é setorizada! Como te disse os escritores e poetas aprenderam que poderiam relaxar mais entre si! Parece que entende-se melhor que a poesia não nos separa, mas une! O Teatro já aprendeu isso com o ACT da Nena Inoue e do Luis Mello! O cinema caminha por essa trilha! Quanto aos músicos...não sei...

CuritibaCultura: Qual sua opinião em relação ao momento de desenvolvimento cultural na cidade?

Ricardo: Sim, há uma série de eventos acontecendo! Antes reclamava-se que nada acontecia em Curitiba! Agora que não há tempo de ir a todos os acontecimentos! A cidade está crescendo, se globalizando, junto com o mundo, mas creio que nosso maior pecado foi o da pretensa metrópole esquecer a província! Agora sofremos um pouco do banzo da província, pois ainda não sabemos exatamente qual o nosso lugar!

CuritibaCultura: Quais são suas expectativas para Curitiba nos próximos anos?

Ricardo: Como disse a Mitie Taketani, da Itiban Comic, espero que Curitiba não vire São Paulo, se bem que pessoalmente, eu gostaria que ela fosse a capital da República Guairá!

 

 

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