O palco como laboratório da evolução

O palco como laboratório da evolução

Darwin. Charles Darwin. Charles Robert Darwin, autor do livro “A Origem das Espécies”. Assim deverá funcionar o olhar de quem for assistir a partir de hoje a peça Darwin: como um microscópio. Essa microscopia da platéia deverá trabalhar à luz das relações propostas em cena. Perceber temas como xenofobia, neoliberalismo, pesquisa genética, religião dentro de esquetes concebidas como soluções cênicas para o pensamento teórico.

A peça é inspirada no livro e na biografia do até hoje controverso naturalista britânico, que abalou e inspirou o mundo com sua teoria da evolução no século XIX. As soluções cênicas não são propostas exclusivas do diretor Fábio Salvatti, mas do elenco formado por Andrew Knoll, Alan Raffo, Carolina Fauquemont, Chiris Gomes e Marisia Bruning.

Darwin, produzida pela Processo Multiartes, trabalha conceitos criados pelo naturalista, propondo através de imagens, sons, críticas e digressões o entendimento do expectador para a compreensão de um texto escrito há mais de 150 anos. Foi justamente na comemoração do bicentenário de Charles Darwin, e dos 150 anos do lançamento de seu mais conhecido livro, que Fábio Salvatti concebeu a ideia de encenar a peça:

“Ao contrário de alguns colegas diretores, eu não sinto interesse em contar histórias em cena. Meu interesse é conversar sobre assuntos que me chamem atenção. Lendo o Darwin eu vi que não só a teoria dele e sua biografia, mas as conseqüências do pensamento dele, ou como ler o mundo de hoje a partir da contribuição dele, como isso poderia ser o tema de um espetáculo teatral.”

A criação coletiva, a mistura do erudito com o Pop, vídeo e música ao vivo em cena são características da peça, mas também da linha teatral seguida pela Processo Multiartes. Pela primeira vez um espetáculo da produtora não é dirigido por Adriano Esturrilho, que “acha muito legal acompanhar outros diretores de perto em ação, diretores que acreditam na mesma coisa que a gente”.

Outra característica compartilhada pelos diretores é a plagicombinação, que nas palavras de Salvatti “é um conceito do Tom Zé que trabalha com a ideia de esgotamento da autoria. Se a autoria está esgarçada, se esse projeto do original, do novo, do inaugural está furado, então cabe ao artista a habilidade de recombinar fragmentos existentes da cultura, gerando um novo sentido”.

A técnica é bem perceptível durante o espetáculo, que trabalha com fragmento do Rei Lear de Shakespeare, poema de Carlos Drumond de Andrade e com referências cinematográficas e musicais. Outros dois nomes completam a criação de Darwin: Octávio Camargo e Fabio Allon. Allon criou vídeos que trabalham as  mutações genéticas que acontecem de geração em geração. Octávio Camargo é o responsável pela direção musical do espetáculo:

“Chegamos a uma ideia musical que era da transposição das bases hidrogenadas do DNA: Adenina, timina, guanina e citosina. Ele traduziu isso arbitrariamente para as notas musicais: LA, SI, DÓ e SOL. Então ele só usava essas notas recombinadas para formar a musicalidade do espetáculo. Então tem a ideia da repetição, de mutação...”

A proposta parece complexa, impressão que será desmistificada já no início do espetáculo. Basta estar atento para conectar durante a expedição poética e cênica os questionamentos e ecos que nos ajuda ainda hoje a repetirmos as eternas perguntas: De onde viemos? Para onde vamos?

Serviço

Darwin

TEUNI (UFPR - Santos Andrade - 2o Andar)

de 23/02 a 25/03/12

20h

Entrada Franca

 

 

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