Diversidade na arte contemporânea

Diversidade na arte contemporânea

A primeira exposição de 2012 com trabalhos de artes visuais em Curitiba já está em cartaz, no Palacete dos Leões. "Cada Qual Com o Seu Como" traz 21 artistas que expõem obras de instalação, pintura, escultura, desenho e gravura. Fui conferir a abertura, que aconteceu na segunda feira passada, e ontem voltei ao espaço para conversar com quatro das artistas que expõem: Gislaine Pagotto, Leoní Klawa, Regina Donda Tenius e Vanessa Thibes.

Quem organizou e fez curadoria foi a artista Regina Donda Tenius, que convidou pintores e escultores conhecidos para participarem. Isto mesmo, não houve uma pré seleção dos trabalhos, apenas dos artistas. Regina comentou que uma das vantagens em não ter restrições aos trabalhos é a liberdade para que os artistas apresentassem aquilo que lhes conviessem. Disto resultou uma diversidade ampla de propostas.

Mas apesar de não haver amarrações forçadas por uma proposta curatorial, é possível estabelecer diálogos entre muitos trabalhos expostos. Para o visitante desatencioso pode dar a impressão de uma organização aleatória. Porém, Regina não deixa de ser enfática no quanto custou organizar os trabalhos de uma maneira que o olhar fluísse naturalmente, o que ressaltou as diferenças e semelhanças.

“Na verdade as abordagens são interessantes. O meu trabalho e o da Gislaine são pinturas a óleo, que é algo bastante tradicional, mas as abordagens são contemporâneas. O da Regina também, porque é uma escultura, mas ela tem uma proposta de ser observada de forma diversa do convencional. É como se fosse um novo olhar. Pegar uma técnica tradicional e com ela desenvolver uma proposta diferente, atual”

Regina apresentou uma série de esculturas em cerâmicas com o título “Dualidades”. A obra foi montada em suportes de vidro espelhado pendurados na parede, possibilitando ao visitante observar os dois lados da obra, o “trabalhar com o rústico e o bem acabado, o cru e a cor, que foi o esmalte vidrado”. A artista afirmou que não há uma obrigatoriedade do trabalho ser exposto como está e ainda pensa em outras maneiras de apresentá-lo. Neste sentido, contrasta com a obra de Gislaine, a série de pinturas “Sombras”, que devem ser apresentadas sempre juntas.

Nesta série de seis pinturas, como a artista mesmo explicou, não importa tanto que são sombras representadas, mas o resultado obtido com a pintura, a construção da imagem. Me prendeu a atenção o trabalho, por deixar flagrante o quanto a pintura já é um trabalho de sombras. “Um varal de roupas é uma coisa. Quando projeto ele na parede, fazendo uma sombra, aquela forma se deforma, vira uma outra coisa. Quando eu passo essas sombras para a tela, ela também vira uma outra coisa, uma outra forma. Porque é outra superfície, outra matéria.”

A pintura de Vanessa traz uma carga figurativa bastante intensa, que questiona a feminilidade contemporânea. “Ana” representa uma mulher doente, mas que talvez não se coloque desta forma. Penso nisto pela conversa que tive com Vanessa. Ao tempo que no quadro a imagem parece querer deixar a tela, também parece imersa em um manto negro de prazer e dor. Mas isto é uma conclusão pessoal, não da artista.

O trabalho de Vanessa também é parte de uma série que não foi possível expor em conjunto. Começou com desenhos e passou a experimentar em outros materiais. Agora a artistas diz que continua a pesquisa explorando seu próprio corpo.

“Eu fiz primeiro duas pinturas com formatos bem parecidos, que intitulei ‘Mia 1’ e ‘Mia 2’. ‘Mia’ é uma apelido que as meninas que fazem apologia à doença dão à bulimia. Uma forma carinhosa de tratar a doença, que estas meninas não encaram como doença. Elas falam da ‘Mia’ como se fosse uma amiga. A ‘Ana’ é uma representação da anorexia. O apelido existe mesmo. Tanto que na internet você encontra fácil o Juramento Pró-Ana, que é um juramento que alguém que faz apologia à doença como estilo de vida jogou na internet e que as meninas, principalmente as adolescentes, usam muito para começar a seguir esse estilo de vida. É como se a ‘Ana’ convencesse elas a chegar a este ponto.”

Só abordei três obras de um contexto muito maior e as proximidades e disparidades ficaram bastante claras. Uma outra razão para conferir a exposição é ter uma ideia da produção de alguns dos novos artistas de Curitiba, já que a maioria dos 21 ainda estão no começo da carreira. Boa oportunidade para ver como o cenário das artes visuais na cidade está diversificado e promissor, como já deve ter notado quem o acompanha. Vale esta primeira exposição de 2012 para reforçar a boa impressão e o pensamento positivo para o ano que começa.

Serviço

Cada Qual Com o Seu Como
Até 20 de janeiro, das 12:30 às 18:30
Local: Palacete Dos Leões
Endereço: Av. João Gualberto, 530/570 - Alto da Glória

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