Das ruas para a galeria

Das ruas para a galeria

No quarto andar do Paço da Liberdade está aberta a exposição Tchá, que traz um pouco do trabalho dos artistas de rua em Curitiba para dentro de uma galeria. Ao todo são cinco artista que expõem seus trabalhos: Antonio Labatut, Deivid Heal, Véio e a dupla Jorge Galvão e Thiago Syen, parceiros nas ruas e na exposição, além de membros fundadores da Valetão Crew .

Conversei com os dois  artistas que contaram um pouco sobre essa experiência de trabalhar com a arte de rua dentro de uma galeria: "Todo o nosso trabalho foi pensado para a exposição, para o espaço que a gente iria ocupar. O pessoal do Paço da Liberdade queria que a gente trabalhasse com o grafite cru, igual ao que a gente faz nas ruas. Mas o grafite na galeria tem que ser diferente, aquilo que a gente faz nas ruas não cabe para a galeria, por isso optamos em trabalhar com a madeira ao invés de aplicarmos a tinta diretamente na parede" - argumentaram os artistas.

Pensamento parecido com o dos artistas também tem Elisabeth Prosser, curadora da exposição, que em 2009 publicou como tese de seu doutorado um livro sobre o grafite em Curitiba. Elisabeth defende o grafite como uma manifestação urbana. "Grafite é só na rua! Quando ele passa para dentro da galeria já não é mais grafite. Porque o grafite é a pintura, é a  interação dos amigos que estão pintando juntos naquele momento, é a forma pelo qual o artista vê a cidade, é a interação dele com o espaço que vai ser pintado. É todo esse universo junto, é muito mais o momento do que a arte em si. Quando parte para a galeria o artista não consegue  levar consigo todas essas referências, apenas parte delas, por isso não é mais grafite".

Foi através dessa coletividade que acontece no movimento de arte de rua que Jorge e Thiago se conheceram. Ambos já grafitavam, mas ainda não eram amigos. Foi perto do ano de 2005 que eles começaram a pintar juntos e a parceria se firmou quando perceberam que a forma de expressão entre eles era muito parecida. "Tanto eu como o Thiago trabalhamos muito com as formas humanas, nosso trabalho é muito visceral e acaba passando as mensagens de uma forma muito parecida" - comenta Jorge. Esse talvez seja um dos principais motivos que faz com que o trabalho dos dois juntos tenha uma unidade, mas é importante lembrar que cada um tem o seu traço específico .

A exposição Tchá fica em cartaz até o dia 26 de fevereiro. Quem for ao Paço da Liberdade  poderá navegar pelos mais diferentes estilos da arte urbana. Até  uma sala de aula foi montada para mostrar que é a vivência a principal fonte de inspiração, não só para os grafiteiros, mas também para qualquer artista.

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