A 30ª a gente nunca esquece

A 30ª a gente nunca esquece

Há exatamente uma semana teve início a 30ª Oficina de Música de Curitiba. E por se tratar de três décadas completas de sua realização, não há dúvidas de que se trata de uma edição especial. Semana passada entrevistamos Janete Andrade, Diretora Artística Geral da 30ª Oficina de Música. Janete é oboísta e já participou da Oficina como aluna e professora. De 2001 a 2010 foi a responsável por todos os projetos de música erudita ligados à Fundação Cultural de Curitiba, além da experiência como diretora pedagógica de outros três importantes festivais de música no Paraná: Maringá, Londrina e Cascavel.

Nessa oportunidade Janete Andrade fala sobre a programação da Oficina de Música de Curitiba, bastidores e finaliza com um balanço de quem acompanhou de perto esses 30 anos de trajetória.

CuritibaCultura: Evidente que existe uma expectativa por se tratar da 30ª edição da Oficina de Música de Curitiba. Como vocês da direção artística da Oficina trataram essa expectativa?

Janete Andrade: Realmente 30 edições é um marco, principalmente se tratando de Brasil, onde eventos dessa natureza acabam se perdendo de uma maneira ou de outra. Acho que todas as gestões que passaram por Curitiba acabaram entendendo a importância desse evento. O principal foco da Oficina é a formação, mas pensamos para essa edição bastante na população, aumentando o número de concertos e shows com entrada franca. Reeditamos algumas classes à pedidos, como o curso de órgão que está acontecendo na Igreja Bom Jesus. Estendemos nossa programação também para o Litoral...

CC: Ano passado não teve programação lá?

Janete: Teve nas praias, mas eram shows. Esse ano estão acontecendo oficinas em Paranaguá, além de concertos. Essa foi uma jogada pensando em divulgar a Oficina nos municípios vizinhos, para que as pessoas subam e acompanhem a programação aqui também. Estamos também realizando trabalhos nas 10 regionais da Fundação Cultural, que terão atividades todos os dias da Oficina. Outra atração que pensamos para esse ano e estamos trabalhando desde a Virada Cultural é o concerto de encerramento da fase erudita, que irá acontecer dia 18/01 no Guaíra, que apresentará a 9ª Sinfonia de Beethoven com um mega coro formado por mais de cem corais aqui da cidade.

CC: Se compararmos a programação dessa edição com a do ano passado, notaremos algumas semelhanças entre suas atrações. A pergunta é porque isso acontece, visto a edição desse ano ter essa importância sempre dada às datas cheias...

Janete: Para gente que produz tem uma questão muito complexa, muito ligada à questão financeira. Geralmente tentamos trazer a maioria dos professores no mínimo duas vezes. Porque é muito desgastante, geralmente eles vêm de países onde a formação musical se dá de outra maneira e chegam aqui cheios de expectativas. Quando não rende, por um estranhamento ou pelo nível de formação da turma, todos começam a ficar mal humorados, frustrados. Então quando um desses professores vêm pra cá e se adapta ao que acontece aqui, procuramos trazer ele outras vezes. Outra questão são as parcerias, muito necessárias para a Oficina – para trazer o Fry Street Quartet, por exemplo, temos a ajuda do Consulado Norte Americano. Outro exemplo é a Olga Kiun, que por ser principal professora de piano da cidade consegue capitalizar um grande número de bons pianistas para a classe, o que geralmente não acontece nos outros instrumentos. Outro fator é que não pagamos para os professores realizarem os concertos, fechamos um montante que inclui a parte artística e a pedagógica. Apesar de tudo isso tivemos sim muitas mudanças, a meu ver foi um dos anos que mais mudou gente. O time de música antiga mudou em 80%, inclusive o diretor, que agora é o Rodolfo Richter. Na verdade a recorrência é muito comum nos em eventos de música com as mesmas características da Oficina.

CC: A programação de MPB não se caracteriza pelas mesmas pessoas, mas pela ausência dos nomes conhecidos do grande público...

Janete: Aí também tem várias questões, uma delas as opiniões que nós que produzimos temos que levar em consideração. Eu, Serginho (Albach) e Glauco (Sölter) sempre nos preocupamos em tomar cuidado em relacionar a Oficina com o main stream. Dificilmente você verá show do Caetano Veloso ou do Chico Buaque na Oficina. É diferente o tipo de preocupação que a gente tem. Esse ano investimos o dinheiro em coisas que fica difícil para o público identificar, como em professores de outros países, dinheiro para as dez regionais que terão programação todos os dias... Tudo isso demanda novas estratégias e muitos custos.

CC: Já que estamos falando de custos, qual foi o orçamento para essa 30ª edição?

Janete: Não estou autorizada em falar no orçamento. Até porque nós mesmos não sabemos muito bem...

CC: Esse ano percebemos uma programação de cinema interessante...

Janete: Sim, mas não é a primeira vez que ela acontece.

CC: Aconteceu, mas ano passado era no Paço da Liberdade e bem menor.

Janete: Na verdade em cima da hora mudou o responsável pelo cinema no Paço da Liberdade. Então achamos melhor deixar só na Cinemateca. Outro programação legal é a de bate-papos com o Roberto Muggiati, que irá receber o Zuza Homem de Mello, o Sérgio Cabral... Esse bate-papo já conteceu ano passado, acho que é algo que veio para ficar, batalhamos muito para que tivéssemos esse tipo de atração.

CC: Gostaria que falasse um pouco sobre o projeto Cidadania Musical, que é outra novidade dessa edição.

Janete: É uma programação que vai acontecer essa semana. Uma coisa são as pessoas que podem comparecer aos concertos, outra são as pessoas que estão impossibilitadas. Estamos organizando para que grupos de alunos e professores possam se apresentar em hospitais, terminais de ônibus, penitenciária, asilos... Dentro das possibilidades visitaremos esses lugares.

CC: Pelo que li em seu currículo você está envolvida na Oficina há muitos anos. Gostaria que desse um depoimento sobre essa experiência e apontasse o rumo futuro para o evento.

Janete: Eu participei da primeira Oficina como aluna, saí do país para estudar e voltei em 91 e em 92 ou 93 participei como professora. Desde 2002 estou na direção. E da primeira para a trigésima mudou quase tudo. Na primeira toda a Oficina cabia no Solar do Barão, eram 12 cursos e quase 200 alunos. Depois de dez anos começou a ser dividida em fase erudita e fase popular. A primeira Oficina, se não me engano, não tinha nenhum professor estrangeiro. Hoje temos professores de 18 países, só norte-americanos temos 12, agora são professores da Eslovênia, da Austrália, da Rússia, Portugal... hoje temos a universalização do evento. Antes éramos o único Festival, hoje já temos outros como o de Jaraguá, o Música nas Montanhas no Rio de Janeiro. Mesmo assim continuamos como uma referência nacional, as pessoas continuam vindo para Curitiba pela questão da qualidade e tradição. Nunca imaginei um núcleo de música e tecnologia, que temos hoje... Para tudo isso precisamos de grandes suportes técnicos, porque ainda não conseguimos realizar a idealização da Oficina que imaginamos. Acho importante acompanhar os tempos, mas acredito na cesta-básica que independe de qualquer coisa. Uma orquestra sinfônica não deixará de tocar um Beethoven, um Brahms, Villa-Lobos... e assim é a Oficina de Música de Curitiba.

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