As palavras nas imagens da urbefágica

As palavras nas imagens da urbefágica
As palavras nas imagens da urbefágica
As palavras nas imagens da urbefágica
As palavras nas imagens da urbefágica
As palavras nas imagens da urbefágica
As palavras nas imagens da urbefágica
As palavras nas imagens da urbefágica
As palavras nas imagens da urbefágica
As palavras nas imagens da urbefágica
As palavras nas imagens da urbefágica
As palavras nas imagens da urbefágica

"como a pintura, é a poesia" - Horácio (65 a 8 a.C.)
"a pintura é poesia calada e a poesia, pintura que fala" - Plutarco (46 a 126 d.C.)

A relação já é antiga e se harmoniosa, melhor aproveitar. Entre as imagens do vocabulário fonético ou ocular de Ricardo Pozzo, um espaço de sintonia. Não preciso falar da relação entre poesia e foto, basta ver. Não haverá texto de apresentação do trabalho do poeta e fotógrafo, pois faz-se por si, em palavras e imagens. Já entrevistei-o em outra ocasião, para saber sobre a poesia com raizes em Curitiba. Agora segue uma parte do seu trabalho.

Para aqueles que quiserem mais...
Poesias
Imagens

Somália, na capital das araucárias

Noiada, a princesa derviche ou vulnerável azeviche, estende a mão como quem esmola mas ampara filete de mijo de rato e pomba e água que desce pela marquise; Agar, que vê brotar a misericórdia em pleno deserto de vidro e pedra britada.

Poucas quadras a separam de Ismael, deixado sob a mesa de plástico do bar, encoberto pelo fiapo de manta igual seu choro tão chorado e vão que não desperta menor atenção na platéia alcoolizada pelo futebol de quarta, na tela de catorze polegadas.

Segundo Plano

O coletor de resíduos
urbefagocitosos,
profissional liberal do setor
de recicláveis,
desmancha caixas de
papelão,
enquanto personagens alheias
olham-se no reflexo,
mergulhadas em oceano
de mensagens inadvertidas
e subliminares

Davi e Golias

Descendo do ônibus, a avó suspende a criança pelo braço como se suas juntas fossem de borracha

Ato seguido por um sonoro: "Aiiiiii!", e um franzir de sobrancelhas do pequeno ser suspenso.

Chegando ao chão a mãe diz: "Tá vendo porquê ela apanha?"

Moral da história: ser criança é estar à mercê de qualquer trairagem

Tímida Babilônia

Onde Curitiba esconde
o marfim de seus
mortos?

Nas intransigentes ruas
sem saída?
No copos sem alma
de sua nobre boemia?

Na maquiagem que livrará
sua cara
desumanizada?
Ou no sorriso banguela
da sua
Boca inchada?

Pervertida e dissimulada
a polaquinha rebola na XV,
uma piscadela para o estrangeiro
capital.

O porta malas infernal
indica o lugar
do POVO.

Piás vestidos de papel e alumínio,
sem esmola e sem futuro,
cruzam com madames poodle que
cintilam no escuro.

Tímida Babilônia que tenta
livrar-se do tédio!
Plano piloto por sobre
cemitério [indígena]

É no km 65 da Serra do Mar
que ainda sangra
a autonomia da curitibranda,
nossa inexpressividade
nacional

O banzo da província
cedeu ao underground
xintoísta? Ou está
injetado nas estações
tubo?

Curitiba digere
àquele que nela se perde

O elefante de pelúcia,
moribundo
caminha vinte e quatro quadros
por segundo!

Uma Criança Arde nos Campos de Ñu Guassu

Há uma criança
carbonizada;

o fogo evaporou
a lágrima.

Ela tem não só o
sangue guaraní;

é negra, polaca,
jogada por aí.

Quem verá o vento balançar a macega?
Ou crispar desconexa língua de fogo?

Vulto amontoado,
pequeno;

lentamente
alimentado com veneno,

[serve]

a generais covardes,
inatingíveis

e seus heteromorfos
dirigíveis

Quem verá o vento balançar a macega?
Ou crispar desconexa língua de fogo?

Em estreitas veias da urbe
a banhar-se em chorume,

o cadáver carbonizado
sob cobertor acinzentado.

Era aqui, era lá?
A República do Guairá?

Quem verá o vento balançar a macega?
Ou crispar desconexa língua de fogo?

Provável conversa sentida na madrugada em Curitiba

Senti que me sentiste
E se a porta logo abrisses...

Me visses
entre plebeus?

Mas tu, cruel devassa,
Transborda tua taça

a qualquer,
dos filhos teus!

Hordas

Indiferentes aos meus
rastros
Cobertores pardos
movem-se
Como águas turvas,
marés
a transformar as
ruas
Em albergues
da solidão.

E é de neblina
o véu
que me encobre
o rosto.
É desgosto meu
hálito de alcatrão.

Não sabe onde ir hoje?

Rua Benjamin Constant, 400 Centro
Curitiba , PR

Café Parangolé

Estamos abertos todos os dias! De segunda a sexta: das 11h30 as 14h30 (almoço da Conchero - Confraria dos Chefs Roqueiros) Todos os dias: das 18h00 a 01h00 (Venha jantar e de QUINTA a DOMINGO aproveite para escutar o...
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