Uma vocação curitibana

Uma vocação curitibana

"Um inesperado passo à frente renovador na quadrinização brasileira: o pessoal da Editiora Edrel, com desenhistas como Cláudio Seto, Fernando Ikoma e outros. A simultaneização da narrativa. Atualização, em contato com gibis do Japão, Europa, Estados Unidos.”

Há 40 anos o teórico e poeta Décio Pignatari escrevia estas palavras em página avulsa do livro “Contracomunicação” (Editora Perspectiva). Cláudio Seto e Fernando Ikoma são curitibanos. Apesar do poeta já residir em Curitiba durante alguns anos, a declaração foi feita antes disso e também o mesmo deixa claro que não conhecia pessoalmente nenhum dos autores.

10 anos após foi inaugurada a primeira Gibiteca do país em Curitiba e no último final de semana a Gibicon nº 0 deixou claro o quanto persiste da vocação curitibana para os quadrinhos.

No Brasil, o momento é de reaquecimento do mercado e não foi outro o assunto mais discutido nos debates e palestras durante o evento. Fosse sobre a trajetória pessoal do autor ou falando dos quadrinhos em outros países, as perguntas por vezes tocavam na dúvida assombrosa sobre o mercado.

Ilustrativa e esclarecedora a palestra feita pelos gêmeos Gabriel Bah e Fábio Moon, que antes de abrirem pergunta ressaltaram a raridade de poder estar frente ao autor e questionar sobre suas experiências e como chegar onde parece impossível: viver de quadrinhos. “Portanto, perguntem!”

A resposta na maioria das vezes foi simples: “Desenhar, desenhar e desenhar”. O quadrinista Fábio Moon ressaltou que para entrar no mercado é preciso também estudá-lo. Maravilhas do mundo em rede, que te dá tantas possibilidade, mas exige várias habilidades. Não basta ser artista. Será no mínimo necessário reunir as qualificações de Relações Públicas, Empresário, Profissional de Marketing, Publicitário...

Não é fácil. O próprio Lourenço Mutarelli colocou como uma das razões por parar de fazer quadrinhos o fato de trabalhar muito tempo em algo que dá um resultado pequeno em termos de consumo. “Aquilo que você gasta cinco minutos lendo foram quatro meses para ficar pronto”, explicou Gabriel Bá.

Para quem não participou talvez fique a falsa impressão de que todas essas queixas e dicas tem um aspecto genérico. A dificuldade é grande na maioria das profissões. Mas foi este o ponto que enriqueceu toda a discussão. A questão dos quadrinhos extrapola e recaí sobre a dúvida de como sobreviver com trabalho autoral na época da cópia e dissolução da autoria.

Longe de querer responder ou tirar alguma conclusão do evento. Parece que persistência, profissionalismo e muito trabalho ainda são velhas ferramentas que funcionam. “Foram dez anos desenhando de graça para poder publicar um livro”, ressaltaram os gêmeos. Foram 40 anos até que Curitiba sediasse um evento que fizesse jus à sua vocação. Reconhecimento vem mesmo com o tempo.

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Rua Treze de Maio, 629 Largo da Ordem
Curitiba , PR

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O Teatro Lala Schneider  é conhecido por seus espetáculos sempre lotados e também pelo curso de artes cênicas, que já revelou grandes nomes da cena nacional. O local é de iniciativa privada e foi fundado em 1994 pelo...
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