Por uma política da boa vizinhança

Por uma política da boa vizinhança

Ontem houve reunião de políticos, músicos, produtores, jornalistas e poucas pessoas que só queriam comer batata. Todos falavam sobre o mesmo assunto: a política cultural em Curitiba. Ouvi até paródia de Chico Buarque: "Beto foi autuado em flagrante / Como meliante / Pois sambava bem diante / Da janela de Maria...". Para Beto era apenas uma reunião de amigos na reabertura do restaurante, "não é protesto", disse ele. Mas mais parecia uma assembléia para discutir o embate entre bares e vizinhos.

O caso é que no último sábado o Beto Batata foi interditado pela AIFU (Ação Integrada de Fiscalização Urbana). Não estava presente no dia, mas já vi acontecer em outros bares e o número de carros, policiais e fiscais da Prefeitura, assusta. Alega a prefeitura que as ações são feitas por reclamação de vizinhos, na grande maioria por conta do barulho alto. Uma observação: moro próximo ao Clube Curitibano e nunca vi a polícia interditar um baile, que faz um barulho descomunal. Também tem um prédio subindo na minha janela e algumas vezes tenho a sensação de que vou enlouquecer com tanto martelada na minha cabeça. A Secretaria de Meio Ambiente não apareceu nenhuma vez por aqui.

Ou seja, a reclamação é devida. Barulho incomoda. Mas eu confesso que nunca liguei na polícia ou em qualquer órgão da prefeitura para deixar uma reclamação. Acho um absurdo um barulho como este, tanto quanto acho um absurdo o barulho em alguns cruzamentos do centro às 18:00. Na cidade há conflitos, especialmente quando ela cresce, ainda mais no ritmo que Curitiba está crescendo. E como resolver? Ontem conversando com os donos do Beto Batata, Robert, do Jacobina, Juca e Alexandre, dono do Aos Democratas, soube da dificuldade que é se adequar às exigências das secretarias municipais. Tudo soa como que para dificultar, além de algumas controvérsias sobre o que pode e não pode. A legislação é defasada e as atitudes muitas vezes conflitantes com o bom senso que deve haver nas autoridades, que muitas vezes parece querer resolver no "grito".

A prefeitura deve, ou ao menos deveria, ter consciência de que uma cidade com atrativos culturais para todos os gostos e horários, sem falar da qualidade, é interessante inclusive para a imagem do município. Eles não esqueceram de mencionar o quanto a noite curitibana é atraente no vídeo promocional da cidade que passa nos eventos que ela apóia. A legislação deve ser pensada para dar segurança e as ações da Prefeitura e do Estado deveriam ser no mesmo sentido. Sempre haverão descontentes. Mas o governo deve pensar que um benefício para poucos incomodados não tira o direito de muitos outros usufruírem de um espaço dedicado à manifestação artística. Curitiba, que preza tanto pelo lazer dos cidadãos, deve tratar o assunto com mais seriedade e inteligência, para evitar excessos desnecessários.

Se há desacordo entre as partes envolvidas cabe ao governo mediar e intervir se necessário. Como ficou claro ontem, diante da movimentação das pessoas envolvidas e da ansiedade em falar sobre a interdição do Beto Batata, nenhuma das partes está satisfeita e falta à prefeitura uma posição melhor adequada. A fiscalização deve existir, mas não há necessidade de baterem na porta e fechar o bar como se fosse uma "boca de fumo". Os bares tem que respeitar e os vizinhos também, afinal há pessoas que querem e tem o direito de usufruir de um espaço com música ao vivo. Elas chegaram e o bar estava aberto e ninguém espera que no meio da noite chegue pessoas armadas pedidos para que se retirem. Afinal, ainda somos um Estado democrático. Ou ao menos, deveríamos.

Não sabe onde ir hoje?

Rua Treze de Maio, 629 Largo da Ordem
Curitiba , PR

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