O mundo muda em detalhes

O mundo muda em detalhes

De repente um cara na fila me pergunta de onde sou e, com a resposta, começa a me dizer o quanto tudo mudou. ”As coisas não eram assim há 10 anos, a cidade cresceu muito...” e continuou, exemplificando com o número de shoppings, universidades, faculdades, hipermercados e coisas do gênero, me convencendo de que realmente tudo mudou.

Isso foi há quase 10 anos, em 2003. Se eu encontrasse com o Pedro novamente (ele tinha cara de Pedro, ou Paulo, tanto faz), provavelmente ficariamos reafirmando o quanto tudo mudou. O mundo, aliás, está mudando.

Lembro quando comecei a me interessar por cultura e artes, coisas afins. Procurar saber quem sabe mais, faz melhor (e como isso muda também!). Certa altura me perguntava o que as pessoas da cidade estavam fazendo. Teatro, cinema, literatura, artes visuais, música, dança, perfomance. Procurei e achei, muita coisa foi feita, em todas as áreas, nesses últimos dez anos. Impressionante.

Lembro do diretor de cinema, hoje também diretor do Museu da Imagem e do Som de Curitiba, Fernando Severo, comentando em um debate, sobre alguns filmes curitibanos selecionados para o Festival de Tiradentes, na Cinemateca de Curitiba: “Curitiba sempre teve bons filmes. A diferença é que antes não prestavam atenção”. Algo próximo disso.

Mas é inegável, parece que a efervecência na cidade é maior. E pensar que fomos uma das poucas capitais que não interroperam o Desfile de Carnaval, nem mesmo com o golpe militar, que era um dos maiores do país. Que sediamos a primeira Oktoberfest do Brasil, no Clube Concordia.

Apesar de tantas coisas que sei sobre a cultura na cidade hoje, que me parece tão mais que no passado, essas mundaças coincidiram com minha curiosidade. Às vezes penso se não é só questão de prestar atenção, como quando não percebemos o quanto muda alguém que está próximo.

As coisas, que parecem sempre as mesmas, mudam. Porém, perceba que não é isso que faz a diferença. Olhar ao lado é um exercício de percepção, alargamento das nossas fronteiras, do entendimento. Sábio ensinamentos das mães, quando dizem: “Presta atenção, menino!”

Mesmo nessa eleição, não me parece que mudou muita coisa. Dois candidatos “novos” com velhos apoios, velhas ideias, ainda representando polaridades excludentes. Claro que mudou, mas para quem?

Trabalhava em uma escola, em 2008, e lembro da servente preocupada com seu filho, membro da Tropa de Choque da Polícia Militar, e que no dia iria expulsar um grupo de mais de 1.500 familias que invadiram um terreno no bairro Fazendinha. Famílias e a maior operação que já vi da Polícia Militar.

Hoje, no CIC, uma ocupação também. Nova primavera, com pessoas do Movimento Popular pela Moradia, reivindicando um espaço. Nenhum candidato mencionou.  Não fosse alguns amigos comentarem, eu não saberia, como não soube da desocupação no Sabará, no começo deste ano.

Fico com a impressão de que, se mudar parece ser um exercício de aparência, é importante observar que os pequenos detalhes é que carregam grandes significados. 

Outros rabiscos do Romã

 

Não sabe onde ir hoje?

Rua Benjamin Constant, 400 Centro
Curitiba , PR

Café Parangolé

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