Dessas coisas que passam batidas

Dessas coisas que passam batidas

As coisas foram estranhas este ano, ao menos no que toca à cultura em Curitiba. No começo do ano, aquele arrastão da Tropa de Choque da Polícia Militar, no Largo da Ordem, com bombas de efeito moral, bala de borracha, spray de pimenta e cacetete. Ninguém assumiu a bronca e ficou por isso mesmo. Alguns dias depois, um boato de que a verba do Mecenato Subsidiado, da Fundação Cultural de Curitiba, havia sofrido um corte, pela metade.

Passado o alarde inicial, a notícia de que a liberação para a captação de recursos, dos projetos aprovados no Mecenato, seria dividida nos dois semestres do ano. O corte não existiu, mas para os projetos que o prazo de captação venceriam no primeiro semestre deste ano, as esperanças minguaram. Já houvera captação máxima para aquele semestre. Os artistas e produtores protestaram e foram atendidos.

Algumas semanas adiante, a notícia sobre a privatização da Pedreira Paulo Leminski, Ópera de Arame e Parque Náutico. Novamente, ninguém sabia de nada, mas a notícia começou a correr “na boca pequena”. O vereador Jonny Stica, que havia lançado o movimento A Pedreira É Nossa e acompanhava de perto todo o processo de reabertura do espaço, soube do caso e pediu explicações da prefeitura e questionou a respeito da divulgação.

Os artistas e produtores locais protestaram novamente, mas dessa vez não teve conversa, os pedidos de suspensão do processo foram negados.

Na mesma época, a prefeitura trata de intervir no Carnaval Fora de Época que começava a ser articulado no facebook, com medo do efeito devastador provocado pelo Reveillon Fora de Época que havia ocorrido em março, na Praça da Espanha. A câmara de vereadores, em conversa com a Associação Brasileiras de Bares e Casas Noturnas no Paraná (Abrabar-PR) e os organizadores do evento na rede social, decidem transferi-lo para o bairro Rebouças. O evento aconteceu, mas alguém se lembra?

Em meados do ano, a Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) anuncia o fechamento da Casa João Turin. Novamente, sem aviso prévio, o boato surgiu nas redes sociais e o governo do Estado confirmou. Já não havia remédio.

Vieram as eleições e as promessas sobre a cultura. Fazer pela cultura foi deixado um pouco de lado. Neste entremeio, aconteceu a eleição para a reitoria da Universidade de Artes do Paraná (UNESPAR), junção entre faculdades dos interior do estado e duas da capital, a Faculdade de Artes do Paraná (FAP) e a Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). O antigo reitor da UNESPAR (a votação para o atual foi em meados de novembro), Alípio Leal, nomeado pelo governo, era um dos condenados por desvio de verba pública, em um escândalo que envolveu também o antigo reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Augusto Moreira Junior. Pouco foi comentado sobre.

Novembro, com as expectativas para o próximo ano renovadas, pelo resultado das eleições, chegou a época da Corrente Cultural e da Virada Cultural. O edital da Corrente Cultural sofreu cortes, com relação ao ano passado, sem nenhuma explicação. As atrações da Virada Cultural deixaram a desejar, em comparação aos outros anos. A festa mesmo ficou por conta dos artistas e espaços locais, que, mesmo com o corte na verba, se articularam em uma “Virada Cultural Paralela”, que terminou o sábado e o domingo com as ruas cheias.

Agora, fim de ano e término de gestão, surgiu o burburinho sobre a possibilidade de não realização da Oficina de Música de Curitiba, em janeiro, um dos eventos mais tradicionais da cidade e mais importantes do país, no gênero. A Fundação Cultural de Curitiba confirmou a realização do evento, mas corre nos bastidores que a verba também foi cortada. O Fórum de Cultura do Paraná pediu explicações sobre a Oficina de Música e também sobre a verba remanescente do edital do Fundo Municipal de Cultura, mais de R$4 milhões, que ainda não foi liberada. Apesar da Fundação Cultural ter garantido que ainda este ano o edital sairia, a resposta lacônica parece apontar o contrário.

Tudo isso, levando em consideração que, no ano passado Curitiba teve arrecadação recorde nos impostos. Claro que, durante o ano também houveram avanços positivos, como a reabertura do Portão Cultural, antigo Centro Cultural Portão. Também houveram muitos outros problemas que não mencionei, visto que o texto talvez não tivesse mais fim.

Nos bastidores, as esperanças são de melhora. Artistas e agentes culturais se mobilizam, fazem acontecer da maneira que podem e esperam que no próximo ano a gestão da Fundação Cultural de Curitiba sofra mudanças estruturais e que seja criada uma Secretaria de Cultura, na Prefeitura. Essas são as coisas mínimas. Sobre isso, é recomendável a leitura de uma série de entrevistas feitas no blog Sobre Tudo, da Gazeta do Povo, com artistas e produtores culturais.

O futuro prefeito, Gustavo Fruet, já prometeu que, ao menos 1% do orçamento municipal vai para a cultura. Infelizmente, para o próximo ano o orçamento foi definido e corre uma certa preocupação de que a mudança seja tímida em 2012. Tem campanha no facebook para que o Governo do Estado destine 1,5% para a área. Com tantas coisas estranhas, sobra a esperança redobrada em mudanças. Afinal, se o mundo não acabar, ao menos que acabe esta mentalidade de descaso com a cultura.

Outros rabiscos do Romã

Não sabe onde ir hoje?

Rua Treze de Maio, 629 Largo da Ordem
Curitiba , PR

Teatro Lala Schneider

O Teatro Lala Schneider  é conhecido por seus espetáculos sempre lotados e também pelo curso de artes cênicas, que já revelou grandes nomes da cena nacional. O local é de iniciativa privada e foi fundado em 1994 pelo...
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