Curitiba é uma cidade que pensa ser Curitiba

Primeiro domingo de maio em Curitiba. Outono com sol entre nuvens, o céu azul num tom indizível. Na sombra faz frio, no sol da tarde faz um calor suave. O ar que sopra é gelado e seco.

A feirinha do Largo da Ordem recebe turistas e saudosistas locais. Tem maracatu saindo da Igreja do Rosário depois da feira. Na Galeria Júlio Moreira violeiros se preparam pra canja no TUC. Na quadra debaixo, em frente a catedral os turistas entram no “jardineira” para conhecer os parques.

Dia de programação gratuita no MON e ônibus a R$1,00. O movimento nos terminais em alguns momentos é tão intenso quanto nos dias de semana. Dia de atletiba na final do Campeonato Paranaense de Futebol, com os dois principais times do estado se enfrentando, Coritiba X Atlético Parananse.

À tarde é de parques e shoppings lotados. As filas dos cinemas dão voltas, os parques tocam som alto, alguns adolescentes bebendo e tocando violão, um grupo de jovens entre duas árvores tentando se equilibrar, um a uma, na slackline.

Essa é a Curitiba mais típica que conheço. A deste último domingo, a do primeiro domingo do mês. Há nove anos aqui, vejo estes momentos cada vez mais típicos para a cidade. Algum dia mudarão, mas não para mim. Essa será a cidade marcada na minha cabeça.

Domingos de quando os bairros transitam pelo centro para consumir cultura e entretenimento. Dia de Batalha da Cultura completando seu primeiro ano no “parcão” do MON. Poucos sabem o que é, mas para mim, que já acompanhei esta batalha de mc´s algumas vezes, é a perifeiria mostrando seu lado criativo no jardim da classe média alta.

Mas é assim mesmo. Quem é daqui ou mora aqui há algum tempo vai esquecendo que isto é uma cidade e passa a acreditar na propaganda oficial ou numa ilusão coletiva. Nada é real ou tudo é perfeito e não precisamos viver a realidade banal. Esquece que há diferenças marcantes com relação às outras cidade, e também semelhanças desconcertantes.

Curitiba tem cultura rica e viva, com qualidade para invejar qualquer capital, mas tantos problemas quanto qualquer outra. Para provar da ilusão e continuar nesse entretermo mortal de ser curitibano, que não sou, exponho um trecho da poesia “uma ode”, de Rodrigo Madeira, que também não é curitibano, mas que escreveu um dos textos que mais tocaram o cerne dessa questão, Curitiba.

“posso encostar-me
em cocteau:
curitiba
é uma cidade
que pensa ser curitiba.”

Não sabe onde ir hoje?

Rua Trajano Reis, 443 Centro Histórico
Curitiba , PR

Restaurante Alberto Massuda

Alberto Massuda Nascido no Cairo, Egito, em 1925, Alberto Massuda veio com 33 anos para o Brasil e fixou residência em Curitiba. Em 1958 naturalizou-se brasileiro. Antes de sua chegada, cursou Belas Artes no Egito e...
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