Conversas entre artistas

Conversas entre artistas

Semana passada participei de uma oficina sobre arte contemporânea com artistas visuais de Curitiba. O responsável foi o artista Tony Camargo, que agendou uma visita ao ateliê de cada um dos convidados, acompanhado dos outros, finalizando em seu próprio espaço de trabalho. A idéia surgiu como contrapartida de um projeto da Fundação Cultura de Curitiba e também pela necessidade que Tony sentiu em discutir arte contemporânea e os trabalhos que estão em desenvolvimento pelos artistas locais.

Ouvi bastante e falei pouco. Só algumas dúvidas. Ao final da tarde Juliana Burigo, artista e mulher de Tony, observou que algumas pessoas não haviam dito nada, nem questionado. Eu, por exemplo. Quando não há o que dizer, é preferível escutar. Se estiver em uma roda de artistas, sendo o único jornalista, já é uma questão de bom senso apenas ouvir.

A expectativa de todos acredito que era ouvir o Tony Camargo. Enquanto as perguntas eram direcionadas à ele, se não diretamente, pelo menos em intenção de resposta, Tony insistia na palestra sobre arte contemporânea do crítico Artur Freitas, ali com este propósito. O artista ouvia atentamente todas as dúvidas e questões balançando a perna. Artur colocava que a conversa era sobre arte contemporânea, mas, pela proximidade óbvia, o trabalho de Tony entrava como exemplo.

Artur observou como na arte contemporânea vivemos um momento de dissolução das dicotomias conceituais, como no caso da antiga oposição entre figurativo e abstrato; Como os artistas se debruçam sobre questões colocadas na história da arte até e resolvem problemas conceituais e estéticos aparentemente desconexos. No caso de Tony Camargo há três momentos que confluem na série “Foto-Módulos”: o ato performático, o registro e a posterior apresentação do quadro.

Até então, pelo conhecimento do Artur, não havia nenhuma obra que desse conta da perfomance e seu registro como um trabalho único (no sentido de junção das poéticas de fotografia e perfomance). Os Foto-Modulos vão além. Tony também pensa na problemática do suporte ao qual são fixados os registros fotográficos. O processo de produção guarda uma forte relação com os processos de pintura, porém, o resultado final da feitura é não deixar marcas da manufatura. Quem olha percebe aos poucos que não se trata de uma simples fotografia de uma perfomance transposta para um suporte com design específico. O jogo conceitual entre artista e obra revela-se justamente em alguns paradoxos que parecem insensíveis ao olho.

Apesar de participar somente das duas últimas visitas, ao ateliê de Tony e visitando os trabalho do Cimples na ACASA, puder perceber como foi importante para todos a troca de idéias. Para mim foi uma ótima oportunidade de conhecer trabalhos e ouvir opinião daqueles que fazer arte na cidade. Infelizmente perdi os outros encontros, que pelo comentário de William Santos, um dos artistas envolvidos, foram todos muito bons. Fica para a próxima, já que, pela vontade expressa por todos, este tipo de reunião de pensamentos deverá acontecer novamente.

Os artistas envolvidos foram: Tony Camargo, Juliana Burigo, Juan Parada, Samuel Dickow, William Santos, Patricia Lion, André Mendes, Fernando Franciosi e Valdecir Morais.

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