Missão comprida

_ Rapaz, comprei um livro seu.
_ Ah, então foi você...

A estreia de minha primeira publicação estava por começar. E por algum motivo isso não me animava. Ia lá, apenas, sem saber muito o que fazer, sem levar convidados, sabendo que ter um texto selecionado entre os trabalhos dos alunos das Oficinas de Análise e Criação Literária da Fundação Cultural de Curitiba não dá lá grande visibilidade. Mas era isso, o máximo que já tinha alcançado. Deveria estar mais contente, o meu conto no jornal. Junto com outros 19 trabalhos.

Eram umas 25, 30 pessoas no lançamento dos 20 autores – concorrência grande, nem metade dos textos impressos li até agora. Um coquetel com refri, sticks, amendoim, uva passas, sustentado pelos próprios participantes. Talvez metade deles estivessem presentes. Quem foi parecia animado, orgulhoso, e com a família, ou amigos, ou alguém prestigiando. Me animei um pouco conversando com os colegas. Recebi alguns parabéns. Dei três autógrafos. Bati uma foto. Fui embora.

Saí do lançamento não muito diferente de quando cheguei. Custa me sentir de fato publicado quando não há retorno sobre o próprio trabalho, apenas o da comissão que nos julgou. Muitos jornais já devem estar engavetados na casa dos participantes. Mas também é possível que neste exato momento alguém esteja lendo um daqueles textos. E até estar gostanto. Autor desconhecido que publica é um corno ao contrário.

Como direito dos autores, ganhamos cada um 20 exemplares. Não sei bem como distribuir. Posso dar a alguns amigos, parentes, mas aí é querer continuar restrito. Talvez mais útil deixar na sala de espera de algum banco, do dentista, da faculdade, e destacando com caneta minha história. Nessas oficinas da Fundação aprendi que ao escritor de hoje em dia não basta escrever. Passamos pela curadoria, tivemos que dar conta do coquetel do lançamento e de certa forma da distribuição. Pelo menos não pagamos a edição, para compensar dividimos o livro com 19 colegas. Falta muito percurso ainda para nos consolidarmos. A missão não se cumpriu, somente começou.

Agora é torcer para ser lido. Ter fé: nem o próprio escritor lê o trabalho dos colegas. Meus parentes talvez leriam, por orgulho ou piedade. Ao menos cinco leitores: minha mãe, o ministrante da oficina e os avaliadores. O importante é saber que fiz minha parte. Mesmo sabendo que, ao escritor de hoje,  apenas escrever não é suficiente.

Não sabe onde ir hoje?

Rua Treze de Maio, 160 Centro
Curitiba , PR

Teatro Barracão EnCena

O Teatro Barracão EnCena teve sua inauguração no dia 21 de março de 2007. É um espaço cultural planejado para atender à grande demanda por espaços de porte médio, principalmente de produtores locais. Com projeto...
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