Um bom lugar para Alma Boa

Um bom lugar para Alma Boa

“O que eu precisava era encontrar novos espaços, novas pessoas, e claro, a questão do sucesso - que a gente busca -, fundamental para que seu trabalho deslanche.”

A Frase acima foi dita por Carlos Careqa em entrevista que fiz quarta-feira passada, dia em que chegou à Curitiba para o lançamento de seu mais recente disco, Alma Boa de Lugar Nenhum. Horas antes de sair para a entrevista, li uma mensagem de Careqa no facebook que mostrava a preocupação do artista em relação ao público, temeridade não comprovada no segundo (de dois) show no Teatro Paiol.

A platéia não estava lotada, mas estava quase. O público estava receptivo e notava-se que vários dos presentes conheciam Careqa pessoalmente, fato que provocou muitas piadas por parte do artista. Aliás, o show teve em suas costuras o humor e improviso de Careqa, que se aproveitava das situações encontradas em cena para mostrar sua sagacidade.

Em cena porque o show era um espetáculo, não apenas música: intervenções de um rádio, piadas prontas e improvisadas, contato direto com a platéia. Tudo muito bem conduzido e potencializado pelo caráter intimista do espaço, que proporcionou também uma ótima acústica para o formato piano e voz proposto pelo show.

Ao Piano estava Paulo Moura, que além de técnica e da sintonia com Carlos Careqa, mostrou sua sensibilidade musical. Os vocais de Careqa são muito bem trabalhados – divisões, melodias e timbres -, carregando de sentidos as composições. O mesmo se percebe em Rogéria Holtz, cantora curitibana convidada para o show.

As composições de Alma Boa de Lugar Nenhum são em maioria de autoria do próprio Careqa. Algumas parcerias – destaque para “Todo Cuidado é Pouco”, parceria com Itamar Assumpção – e duas traduções de Bertold Brecht, que evidencia o lado teatral do artista. A homenagem ao rádio também é evidente, tanto pela presença de um no palco, quanto pela presença de “Meu Pequeno Rádio” – uma das músicas de Brecht – no repertório.

O show foi aplaudido com ênfase pela platéia, que pediu bis depois do bis. Eu diria que foi um sucesso, mas fico pensando se Careqa achou um sucesso. Uma das piadas, aquelas com um fundo de verdade, era sobre a vontade de fazer um show no Teatro Positivo, e não no Paiol. Considerando o som de Carlos Careqa, na natureza de suas músicas e performances, acho que o show de “Alma Boa de Lugar Nenhum” não seria tão bom lá quanto foi no Paiol.

A questão do sucesso é delicada, e claro que todos trabalham em busca do reconhecimento. Melhor do que fazer comparações ou julgamentos é pensar que essa inquietação gera músicas, álbuns, shows, e que para uma boa alma tudo está em seu lugar, mesmo que esse lugar seja o velho conhecido Paiol.

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