O devir além do dever

O devir além do dever

Domingo foi o último dia em que os candidatos abraçaram seus eleitores, estenderam as mãos nas ruas, ouviram sobre as mazelas e aflições de cada cidadão. Para nós, eleitores, passado é o constrangimento dos dircursos demagógicos, dos jingles e das construções midiáticas.

Os candidatos não mais acordarão às cinco horas da matina para gravações em terminais de ônibus, não andarão mais de bicicleta em meio à multidão, nem caminharão em favelas e regiões carentes imbuídos do pretenso conhecimento das necessidades da casa do Carvalho. 

Domingo, seis horas da tarde, os candidatos à prefeitura de Curitiba deixaram de existir. É provável que nessa hora Ratinho Júnior tenha recapitulado todos os passos que o levaram à derrota nas urnas, em suas estratégias insuficientes para elevar seu prestígio e seu compromisso com o povo.

Do lado vitorioso, Gustavo Fruet deve ter sentido a falta de gravidade por um momento, o corpo flutuando, como que impulsionado pela multidão, a leveza do segundo que antecipa o mergulho vertiginoso em suas propostas e promessas escolhidas por mais de 60% do eleitorado curitibano.

Por que tudo, ainda, está no campo das promessas, não podemos nos esquecer disso. Nada garante a postura coerente ao discurso: nem pai, nem mãe, nem passado, nem futuro, nem partidos. Muito menos promessas.

Aqui do outro lado, para alguns ao menos, passa também o embotamento da rivalidade política, a boa vontade em acreditar nos planos de governo e no compromisso com o povo como ponto chave para todas as conquistas.

A igualdade terminou logo após apertar o botão verde da urna. Voto dado, cada um atravessou sua meia noite. A maioria, novamente tornado em abóbora, volta a vegetar e criar raízes em regiões da cidade só ouvidas através da tradição do conto eleitoreiro.

Volta também a velha indignação com as mesmas engrenagens e a dúvida como ponto chave da crença, a iminência do candidato se tornar... um rato?

Se há esperança, ela não está nas pessoas que se responsabilizarão pelo gerenciamento de nossa cidade. Deposito a minha em todos esses que decidiram acabar com o comodismo instaurado na prefeitura em todos esses anos dominados pela situação, em todos que, independente do voto, foram além da isca e promoveram o debate de ideias, prestaram atenção e não resumiram sua cidadania ao voto da urna. Ser cidadão é um devir de todos.

Outros rabiscos do Romã

Não sabe onde ir hoje?

Rua Treze de Maio, 629 Largo da Ordem
Curitiba , PR

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O Teatro Lala Schneider  é conhecido por seus espetáculos sempre lotados e também pelo curso de artes cênicas, que já revelou grandes nomes da cena nacional. O local é de iniciativa privada e foi fundado em 1994 pelo...
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