Na unha do capeta

Na unha do capeta

A primeira vez que me deparei com a obra da Cia Vigor Mortis foi no cinema, com o filme Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos. Pesquisando naquela época, descobri que Morgue Story foi produzida dez anos antes no teatro, pela mesma companhia. Ano passado Morgue Story também foi lançada em quadrinhos, fechando um ciclo indissociável do trabalho da Companhia.

A introdução acima é necessária para entender o que senti ao entrar no TUC e me deparar com uma tela de cinema no palco. Quando as projeções começam e as luzes se acendem, a sensação tridimensional proporcionada por uma tela translúcida no primeiro plano, mas também pelo cenário criado com ponto de fulga, parecem uma solução perfeita, já que o enredo tem como mote o cineasta José Mojica Marins, afamado pelo personagem Zé do Caixão.

Leandro Daniel Colombo é o único ator em cena, mas contracena com o elenco da peça ataravés das imagens projetadas na tela. Leandro é Gregório General, cineasta em crise  que recebe uma praga de Zé do Caixão. Atormentado pela proximidade do prazo de entrega de um roteiro encomendado, e pela ausência de sua musa inspiradora, Gregório vai ao bingo, onde recebe a tal praga.

No auge da crise, agora existêncial e delirante, Gregório encorpora Zé do Caixão, revelando seu lado bestial tanto renegado na lembrança de Zoltan (?), o leão que seu pai domava no circo. Leandro ganha a platéia com a consistência atingida pelos personagens, saindo ovacionado.   

A encenação é trash, mas longe de ser um lixo. Paulo Biscaia e equipe conseguem com efeitos simples não transpor o cinema para o teatro, mas recriar aquela atmosfera encontrada nos filme de Mojica, despertando a curiosidade para a obra desse cineasta um tanto esquecido, como resumido unicamente na figura de seus personagens mais famosos, que aparecem na peça em takes filmados pelo próprio diretor da Vigor.

O texto prende a platéia, e apresenta várias camadas para o entendimento. Entre elas a evidente homenagem ao cineasta já mencionado, e uma crítica a uma suposta "carga cultural" necessária a qualquer filme. Outro ponto, ao meu ver positivo, é como a trama se desenvolve dentro do universo trash, utilizando elementos clichês do próprio gênero mas também outros, comuns à cultura popular. 

No fim a sensação de ter visto uma verdadeira obra trash de qualidade, e a certeza dos caminhos trilhados por Biscaia e sua Companhia, que transita cada vez melhor pelos limites da linguagem do cinema e teatro.

Aviso

Ainda restam quatro sessões para conferir a peça: Sábado e domingo (12 e 13/05) às 19h e às 21h. O ingresso é gratuito, basta chegar com antecedência na bilheteria do TUC para garantir seu passaporte para o quinto dos infernos!

Não sabe onde ir hoje?

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Curitiba , PR

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