De bandolim para bandolim

Não é da apresentação da série Solo Música que conheço Daniel Migliavacca. Pensando nisso lembro a primeira vez que o ouvi, em participação no show A Fala da Flauta, de Altamiro Carrilho. Daniel Migliavacca (bandolim), Vinicius Chamorro (7 cordas), Cristina Loureiro (pandeiro) e Sérgio Albach (clarinete) formavam na ocasião o Trio de Ouro Catuaba Brasil, que foi elogiado por Altamiro após performance da música de autoria do mesmo, chamada “Carioquinhas no Choro”.

Comecei a prestar mais atenção nesses músicos, que por sua vez me levaram ao cenário da música instrumental de Curitiba - cena que produz músicas e músicos de alta qualidade. Num ligeiro retrospecto, constato que já assisti muitas apresentações de Daniel Migliavacca, mas nunca em um solo.

Daniel apresentou um repertório adaptado, pois, segundo ele, são escassas as composições no país feitas especialmente para o instrumento. Basicamente formado por choros, esse repertório era um misto de composições de autores consagrados e músicas próprias. Entre elas destaco as performances de "Quando Me Lembro", de Luperce Miranda, e Estudo nº9, música criada por Daniel com intenções didáticas, mas sem perder a qualidade de música, para seu trabalho de conclusão de curso (TCC). Gostei mais dessas pela forma como fluíram tocadas apenas pelo bandolim. Curioso notar que ambas, ainda segundo Daniel, foram criadas para o instrumento.

De maneira geral o repertório me agradou pelas escolhas, demonstrando consideração com o público. Entre Jacob do Bandolim, Ernesto Nazaré, Garoto e as autorais, duas músicas muito conhecidas: "Adios Nonino", de Astor Piazzolla, e Carinhoso, de Pixinguinha - essa última tocada com a platéia em coro, para finalizar o show.

A platéia parece ter gostado do show, assim como eu. Achei que as escolhas, performances e informações - Migliavacca citou o nome de todas as músicas e seus compositores - tornaram a apresentação muito agradável, conquistando a atenção do público, que vibrava mais alto quando os solos se demonstravam ligeiros e precisos. Daniel Migliavacca é sem dúvidas um dos grandes instrumentistas da cidade, demonstrando isso em seus arranjos e execuções.

Foi também a primeira vez que consegui assistir a uma apresentação do Solo Música esse ano. O projeto, que está em seu terceiro ano consecutivo, apresenta todo mês um músico, nacional ou internacional. A série se encerra no dia 06 de dezembro, quando o mineiro Artur Andrés apresenta flautas e marimba de vidro para quem for esperto e antecipar a compra dos ingressos no Teatro da Caixa. Segunda a moça da bilheteria, deixar para comprar na hora é quase garantir sua ausência no show. As apresentações sempre acontecem às terças-feiras, e os ingressos começam a ser vendidos com uma semana de antecedência. 

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Restaurante Alberto Massuda

Alberto Massuda Nascido no Cairo, Egito, em 1925, Alberto Massuda veio com 33 anos para o Brasil e fixou residência em Curitiba. Em 1958 naturalizou-se brasileiro. Antes de sua chegada, cursou Belas Artes no Egito e...
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