Ao encontro de Sócrates

Ao encontro de Sócrates

A proposta era uma Aula-Show com Sócrates e José Miguel Wisnik. Pouco de aula, no sentido de ensinar algo. De show – mostrar - teve muito. O primeiro encontro entre compositor e inspiração começou com Wisnik esmiuçando a letra de seu samba “Sócrates Brasileiro”, e através de explicações tentou justificar sua homenagem. Tentou, porque quando a conversa tomava um rumo sério, o Doutor comentava sobre o sutiã da mulher pintada no teto da Sala de Atos do Paço da Liberdade. Todos irrompiam em gargalhada, e ele completava: Ô Zé! Toca uma música logo pra nóis!

Apesar de truncada, entre as explicações e a irreverência, a conversa ia se desenvolvendo, traçando paralelos entre o futebol e a música. Muito interessante o papo, sem dúvida. Mas foi só quando a música começou a ser tocada que o encontro realmente foi possível. Sócrates pediu novamente “uma música pra nóis, aquela que você toca pensando em alguém que tá longe...”. Wisnik se posicionou ao piano e mandou:

É sobre-humano amar
'cê sabe muito bem
É sobre-humano amar, sentir,
Doer, gozar
Ser feliz

Vê que sou eu quem te diz
Não fique triste assim
É soberano e está em ti querer até
Muito mais

Logo Sócrates se levantou e sentou no chão, mais perto do piano e de Wisnik. Ficou escutando a música, somente. Penso agora que “Mais Simples”, composição do próprio interprete, disse muito mais sobre o Sócrates que vi naquele dia. O cara que disse ser mais importante um carinho, um abraço, que fazer um gol na Copa do Mundo. O cara que escutou a música e se emocionou, demonstrando sintonia com ela. Cantou junto quando o Zé bisou a seu pedido, sem objeções da platéia.

A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples?

A letra dos versos remete a uma confissão intima, em primeira pessoa, sobre a condição humana, buscando melodicamente o refrão que questiona essa natureza. A versão em vídeo, que incorporo ao texto, suspende a nota final da primeira e terceira frase do refrão, finalizando e recuperando o tom, reforçando essa idéia de instabilidade, de busca. E esse sentimento mútuo, de senso humano, se fez sentir presente quando a música terminou.

Mas deixa tudo e me chama
Eu gosto de te ter
Como se já não fosse a coisa mais humana
Esquecer
É sobre-humano viver
E como não seria
Sinto que fiz esta canção em parceria
Com você

Foi desse ponto em diante que compositor e inspiração se encontraram num abraço de satisfação pela proximidade, e tudo se tornou mais alegre e natural. Então a música morou no assunto, e até João Egashira, que estava na platéia, foi convidado pra tocar Noel Rosa. Todos os presentes cantaram, riram, e permaneceram até o fim do encontro musical improvisado. De saidera, um hino do Brasil: Carinhoso.

A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples?

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