A tradição do samba paranaense

A tradição do samba paranaense

Domingo é aquela coisa: se você descuidar acaba no tédio que só termina quando os olhos se fecham. O perigo começa depois do almoço, quando empanturrados de churrasco ou pierog, os curitibanos se aninham para fazer a digestão dos sonhos. Para quem tomou uma atitude e foi na tradicional feirinha do Largo da Ordem, algumas (mesmas) opções como o Bosque do Papa ou, ao lado, o Museu Oscar Niemeyer.

Mas no último domingo, um belo dia de sol, a Sociedade 13 de Maio abriu suas portas para o público conhecer seu novo projeto: o Samba da Tradição. No centro do salão uma roda uniu a velha guarda – Sim! Curitiba tem uma velha guarda do samba! – com os músicos do grupo Regional Malária. A promessa é de que o encontro se repita um domingo por mês, sempre com o Regional Malária recebendo um convidado representando o samba antigo da cidade.

A ideia é muito boa. Não só pelo clima proporcionado, mas também por dois fatores embutidos: o do samba curitibano e a Sociedade 13 de Maio. De todos os eventos que compareci no local, essa roda de samba, sem dúvidas, foi o melhor. O sol atravessando as janelas, crianças brincando, pessoas dançando e cantando... E na roda de samba os talentos se alternando para homenagear Maé da Cuíca e Mãe Orminda, que não só estavam presentes como também protagonizavam a roda.

Maé da Cuíca foi um dos fundadores da primeira e maior escola de samba de Curitiba, a Escola Colorado. O mais antigo mestre de bateria hj em atividade na cidade, Mestre Divino, lembra que aos 14 anos Maé foi seu primeiro mestre. E para quem pensa que a idade é um obstáculo, assustado ouviria o som tirado da cuíca por Maé.

A cantora Mãe Orminda representa a história mais recente, até porque esse ano assisti um show seu ao lado de Tia Surica (velha guarda da Portela) no Paiol. Na homenagem feita aos dois músicos, o orador ressaltou sua importância musical e social, dizendo sobre o orgulho e importância de Mãe Orminda, primeira mulher a puxar um samba enredo na cidade.

E fazendo a história atual, o Regional Malária: Julião Boêmio (cavaco), Vinicius Chamorro (7 cordas), Ricardo Salmazo (Pandeiro), Luiz Pernoite (surdo), Leandro Almeida (rebolo e voz). Para quem não conhece é bom saber que eles tocam toda quarta no Wonka Bar – fica a dica, samba de primeira.

O Samba da Tradição é uma iniciativa pautada em uma nova perspectiva da diretoria da Sociedade 13 de Maio, que tem por objetivo trazer de volta as famílias que atravessam sua história. A diretoria também prepara um documentário para reavivar o histórico, cultural e social da 13, um referencial da memória negra na cidade.

E para quem ainda não acredita que aqui, na terra dos pinheirais, samba não se faz: nesta sexta (29/10) às 20h no Canal da Música tem o lançamento do primeiro CD do Samba do Compositor Paranaense, projeto que acontece desde o ano passado em Curitiba.

A próxima roda do Samba da Tradição ainda não tem definido seus convidados, mas já está marcada para o dia 20/11, o Dia da Consciência Negra.

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